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Mitos & Verdades sobre os Exames Laboratoriais

Fonte: Revista Notícias-Medicina Laboratorial
2917 – Edição 87 – Ano 7

Mito 1.
Muitos exames laboratoriais, quando realizados para avaliação do estado da saúde de uma pessoa aparentemente saudável, apresentam resultados normais e, portanto, desnecessários.

Verdade
Com o advento da medicina preventiva, os exames laboratoriais passaram a ter papel fundamental na avaliação do estado da saúde das pessoas e também na avaliação de risco para diversas doenças como, por exemplo, a dosagem do colesterol total, frações e triglicérides para avaliação do risco cardiovascular. A utilização dos exames com esta finalidade tem grande impacto na detecção precoce e permite o tratamento muito antes das complicações.
A prevenção, detecção precoce e controle das principais doenças crônicas, tais como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia câncer de próstata, câncer do colo de útero, entre outras, resulta na redução do custo de assistência à saúde e garante uma excelente qualidade de vida às pessoas por um período prolongado de vida.

Mito 2.
Resultados de exames realizados no mesmo dia, em diferentes laboratórios, devem ser todos iguais.

Verdade
Os exames laboratoriais são procedimentos de avaliação qualitativa ou quantitativa determinados analitos que possuem variação conforme a metodologia empregada e podem apresentar resultados divergentes em diferentes métodos ou diferentes laboratórios. Os resultados representam uma “fotografia” do organismo em um dado momento. O método definido pelo responsável técnico do laboratório deve possuir uma avaliação de seu desempenho diagnóstico (coeficientes de variação, controle interno da qualidade, etc.). OS resultados laboratoriais devem ser interpretados em conjunto com os dados cínicos e sempre realizados por profissionais habilitados.

Mito 3.
Só é necessário fazer exames laboratoriais para obter diagnóstico de doenças.

Verdade
Os resultados dos exames laboratoriais também têm outras finalidades além do diagnóstico de doenças. São importantes, por exemplo, para a triagem de doenças e para a definição de seus fatores de riscos.

Mito 4.
Além do jejum, não é necessário mais nenhum preparo para realizar exames laboratoriais.

Verdade
O jejum pode ser dispensado para diversos tipos de exames laboratoriais, devido ao avanço tecnológico e a estudos científicos que auxiliam na interpretação dos resultados em diferentes estados metabólicos. Alguns medicamentos, exercícios, alimentação e horários são fatores que podem influenciar o resultado dos exames. Informe-se com a equipe!

Mito 5.
A incorporação dos exames laboratoriais no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável pela insustentabilidade dos sistemas de saúde.

Verdade
A incorporação de novas tecnologias ao sistema de saúde contribui de forma positiva na assistência à saúde, uma vez que essas tecnologias são importantes para se obter diagnósticos mais precoces, avaliação preditiva, etc. As tabelas de cobertura dos sistemas privado e público de saúde representam apenas uma pequena parte nos milhares de tipos de exames laboratoriais disponíveis atualmente. A avaliação de inserção desses novos procedimentos tem se mostrado mais restritiva do que flexível.

Mito 6.
Os exames laboratoriais são responsáveis por grande parte do desperdício dos gastos na assistência à saúde.

Verdade
Os resultados dos exames laboratoriais apoiam cerca de 70% das decisões médicas. Os gastos com exames laboratoriais representam um percentual muito baixo no total dos custos em saúde: 1,3% na Alemanha e 2,4% nos Estados Unidos.

Mito 7.
A realização dos exames é semelhante em todos os laboratórios clínicos. A única diferença perceptível está na qualidade do atendimento na recepção.

Verdade
Laboratórios que participam de um programa de acreditação da qualidade geram maior segurança aos seus pacientes. Os programas de acreditação têm como foco assegurar a segurança dos pacientes por meio de controle de processos e práticas, tais como a utilização de painéis de indicadores, controles de qualidade e redução de riscos operacionais. Além disso, os laboratórios acreditados também primam pela sua preocupação em oferecer o melhor atendimento na recepção, sempre com foco na segurança do paciente.

Mito 8.
De 35% a 50% de resultados de exames laboratoriais não são retirados pelos pacientes.
Diversos artigos, reportagens e entrevistas publicadas na mídia com essa afirmação não apresentam fontes de referência ou base de dados fidedigna. Muitos resultados – como aqueles que apresentam valores críticos – são comunicados pelos laboratórios diretamente aos médicos. Pacientes recebem resultados por e-mail, telefone, SMS e outros meios; acessam os resultados diretamente no site do laboratório, entre outros recursos. Dados obtidos pela SBPC/ML fornecidos por laboratórios clínicos demonstram que o percentual de exames não retirados é inferir a 5% do total.

Mito 9.
Os laboratórios clínicos têm influência na quantidade de exames solicitados pelos médicos.

Verdade
Os laboratórios clínicos recebem os pacientes com pedidos de exames solicitados pelos médicos e realizam apenas os procedimentos ali descritos. Não têm influência na decisão médica em relação à quantidade ou tipo de exames a serem realizados. No entanto, é inegável o papel relevante do laboratório clinico em disseminar conhecimentos relativos à medicina laboratorial junto à comunidade médica, assim como assessorar o médico, quando solicitado a definir os exames mais adequados para um paciente, para fins de diagnóstico, acompanhamento clínico e também na interpretação dos resultados.

Mito 10
O número de exames per capita realizados anualmente no Brasil tem crescido devido à falta de critério em suas avaliações.

Verdade

Diferentes fatores levam a maior utilização dos exames laboratoriais na prática clínica: envelhecimento da população (pacientes idosos realizam cerca de 3,5 vezes mais exames ao ano quando comparados a adultos jovens), maior prevalência de doenças crônicas (mudança epidemiológica), novas tecnologias disponíveis e advento da medicina preventiva. Existem variações no número de exames solicitados por médicos de diferentes regiões do país, o que se deve a características do setor e não representa desperdício de recursos.

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